Os Últimos Dias dos Romanov, de Robert Alexander - Sinopse & Opinião

março 20, 2017

Os Últimos Dias dos Romanov
Título: Os Últimos Dias dos Romanov
Título Original: The Kitchen Boy: A Novel of the Last Tsar
Autor: Robert Alexander
Editora: Círculo de Leitores
Ano de Publicação: 2005
Número de Páginas: 304

A 16 de Julho de 1918, o curso da história da Rússia mudou para sempre. Nessa noite, o czar Nicolau II e a sua família foram brutalmente executados pelos bolcheviques. Houve apenas uma testemunha - o ajudante de cozinha. Ele é a única pessoa viva que realmente sabe o que se passou. Que segredos nos serão revelados sobre os últimos dias dos czares? É que, apesar de já ter passado quase um século, a prisão e execução do czar Nicolau e da sua família continuam envoltas em mistério e fascínio.
Numa prosa absorvente e elegante, combinando factos e ficção, Robert Alexander reconta a história através de Leonka, em tempos ajudante de cozinha dos Romanov, que afirma ser a "última testemunha viva" da brutal execução da família imperial.

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Graças à Carnaval-a-Thon, consegui ler esta pérola. Quem me vai seguindo aqui no cantinho sabe como sou fascinada pela Rússia e a trágica história dos Romanov segue esse mesmo fascínio; logo, quando o desafio foi ler um livro relacionado com o país de origem do nosso nome, não hesitei. Quase devorei Os Últimos Dias dos Romanov num só dia.

"-Estes Romanov! Tomam tantos banhos, lêem tanto, fazem tantas perguntas... e demoram tanto tempo a arranjar-se!"

De notar que é mencionado o facto de o herdeiro, Alexei, ter tomado há pouco tempo o seu segundo banho desde que a família fora aprisionada naquela residência...

Tal como o título indica, estamos perante um relato do encarceramento que a família imperial russa foi sujeita nas últimas semanas de vida. Fantasioso q.b., mas também baseado em factos verídicos, foi uma leitura sem dúvida pesada mas, ao mesmo tempo, maravilhosa. A forma como o autor dança com as palavras, a maneira como fluem pelas páginas, fizeram-me perder numa Rússia há tanto tempo esquecida, sentir a opressão daquelas paredes mas também a esperança que ainda residia em tantos corações, a lutar contra a crueldade presente em tantos mais.
Todos sabemos o triste fim da dinastia Romanov; mas este livro tem o condão de imergir o leitor completamente na vida da família e quase fazer esquecer que, no fim, todos foram mortos, covardemente, tristemente. Quase que nos conseguimos esquecer do seu destino, até sermos violentamente confrontados com a sua morte. É um livro tão, tão triste. E tão magnífico.
Ao lado da história dos Romanov, temos uma história no presente, que é relegada para segundo plano até praticamente o final do livro. Aí, Robert Alexander consegue mexer ainda mais com o leitor, apanhando-o desprevenido para as revelações finais. Sim, há reviravoltas. Mas não são aquelas que esperam enquanto lêem a história, acreditem.

Bónus: as expressões em russo. Delicioso!

Os Últimos Dias dos Romanov é um livro que fica connosco. É uma história que conta outra história horrivelmente triste e que vos vai fazer sentir essa tristeza. Este livro vai-vos fazer realmente sentir emoções verdadeiras. Quão raro é isto acontecer? Encontrar um livro que de facto nos faz sentir?

Um livro obrigatório para qualquer pessoa que tenha curiosidade acerca da Rússia e a sua história, Os Últimos Dias dos Romanov é um relato cruel e fabuloso de um crime que ficará para sempre marcado na história do Mundo.

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.