Coraline, de Neil Gaiman - Sinopse & Opinião

março 16, 2017

Coraline
Título: Coraline
Título Original: Coraline
Autor: Neil Gaiman
Editora: Rocco
Ano de Publicação: 2003
Número de Páginas: 160

Coraline acaba de se mudar para um apartamento num prédio antigo. Seus vizinhos são velhinhos excêntricos e amáveis que não conseguem dizer seu nome do jeito certo, mas encorajam sua curiosidade e seu instinto de exploração. Em uma tarde chuvosa, consegue abrir uma porta na sala de visitas de casa que sempre estivera trancada e descobre um caminho para um misterioso apartamento 'vazio' no quarto andar do prédio. Para sua surpresa, o apartamento não tem nada de desabitado, e ela fica cara a cara com duas criaturas que afirmam ser seus 'outros' pais. Na verdade, aquele parece ser um 'outro' completo mundo mágico atrás da porta. Lá, há brinquedos incríveis e vizinhos que nunca falam seu nome errado. Porém a menina logo percebe que aquele mundo é tão mortal quanto encantador e que terá de usar toda a sua inteligência para derrotar seus adversários.

***********

Apesar do fiasco que tinha sido a leitura de O Oceano no Fim do Caminho, decidi voltar a tentar ler Neil Gaiman. Quando participei no Carnaval-a-Thon, uma das leituras obrigatórias seria Coraline, e decidi dar mais uma oportunidade a mim própria de conhecer melhor o autor.

Olhando para trás, preferia mil vezes ter escolhido o Ratos e Homens, de Steinbeck.

Coraline conta a história de uma menina que, não tendo ninguém com quem brincar, passa o dia a explorar o apartamento e os jardins, entre visitas aos vizinhos velhinhos e tentativas de chamar a atenção dos pais. Então, um dia, entra numa porta que costuma estar fechada na sua sala de estar e encontra um espelho do seu mundo, onde vivem os seus Outros Pais, e onde a sua Outra Mãe quer que ela fique para sempre. É uma história bastante sombria, e que poderia resultar em algo verdadeiramente magnífico se Gaiman não escrevesse de uma forma tão vaga e, ao mesmo tempo, tão infantil. A forma como o livro está escrito é quase para crianças, com coisas tão óbvias a serem apontadas que parece que apenas estão ali a encher chouriços. E depois, é tudo tão vago, tão mal explicado que parece que estou a ler uma história que está escondida atrás de uma cortina de nevoeiro. Ou, em alternativa... a história é tão o-que-é-isto que eu esperava encontrar para além das suas palavras um outro qualquer significado que, afinal, não existe.
Toda a narrativa é apresentada na perspectiva de Coraline, ou seja, de uma criança. É muito errado eu não ter simpatizado com a miúda? Senti falta de uma personagem realmente marcante, algo mais... real, mais consciente talvez? É tudo tão apressado neste pequeno livro que a sensação com que fiquei é que merecia muitas mais páginas. Talvez fosse essa a diferença que me faria gostar desta história. Isso e estar escrita para adultos... uma vez que pessoas com botões cosidos no lugar dos olhos não é uma imagem muito simpática para os mais pequenos.
Houve dois elementos que quase me fizeram gostar de Coraline, o que, no final, ainda ajudou mais à desilusão com este livro - estive perto de gostar mas a prosa conseguiu estragar tudo. O facto de no outro mundo os olhos serem substituídos por botões e o gato. Primeiro, que elemento tão deliciosamente assustador. Botões em vez de olhos? Botões que são cosidos? É mesmo aquele tipo de pormenor que me agrada e me deixa um sorriso na cara. E depois, gatos. É preciso explicar? Infelizmente, não foi o suficiente...

Lembro-me que já o filme baseado na mesma história também não me agradou muito, mas esperava que o livro fosse uma boa leitura.
As ilustrações, apesar de serem muito bem conseguidas e atractivas, são muito spoilers. Vêm antes dos capítulos e referem-se ao capítulo. Principalmente a do gato na cara da mulher... Porque não no meio do texto, ou mesmo no fim do capítulo?

Mesmo assim, ainda não é desta que vou desistir de Neil Gaiman. Algo nos seus universos, algo twisted, atrai-me completamente, e ainda hei-de ler Os Filhos de Anânsi, que tenho aqui por casa. Só para tirar todas as dúvidas. Enquanto isso, não posso dizer que aconselhe a leitura de Coraline... Mas decidam por vocês próprios!

You Might Also Like

0 comentários

Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.